008 – Clemente

Programa: 008

Exibido em: 20 de agosto de 2008

Entrevistado: Clemente

Letrista, vocalista e guitarrista, Clemente fundou bandas “Condutores de Cádaver” e  “Os Inocentes” e foi um dos responsáveis pela explosão do movimento punk no Brasil. Recentemente, integrou a nova formação da Plebe Rude.

Também foi um dos responsáveis pelo extinto programa “Musikaos”, da TV Cultura, apresentado por Gastão Moreira.

Participação: Jorge

Entrevista na íntegra:

007 – Pedro A. Sanches

Programa: 007

Exibido em: 06 de agosto de 2008

Entrevistado: Pedro Alexandre Sanches

Jornalista formado pela Escola de Comunicações e Artes da USP, Pedro Alexandre trabalhou por dez anos na Folha de S.Paulo, onde exercia as funções de repórter e crítico musical. Atualmente escreve na revista Carta Capital. Publicou em 2000,  o livro “Tropicalismo: decadência bonita do samba”, com análises das obras de Gilberto Gil, Caetano Veloso, Jorge Ben, Chico Buarque e Paulinho da Viola e em 2004, “Como dois e dois são cinco – Roberto Carlos (& Erasmo & Wanderléa)” , livro que faz uma análise social e ao mesmo tempo emotiva da obra e trajetória de “RC” e dos dois outros grandes ícones (o “Tremendão” e a “Ternurinha”) da Jovem Guarda.

Participação: Maurício DTS

1) O disco (como suporte físico) acabou?
Não acabou, e acredito que não acabará, mas isso é opinião de dinossauro – se compro disco de vinil até hoje, como posso acreditar que acabará o CD, ou qualquer outro suporte físico? Agora, tirando a visão de dinossauro, não dá mais para tapar o sol com a peneira: não acabou e pode ser que não acabe, mas nunca foi tão minúsculo, tão encolhido, tão pouco importante. E ainda tem espaço de sobra para encolher mais ainda…

2) Como a música será consumida no futuro? Quem paga a conta?
Incógnita total, né? É claro que tudo indica que vai ser virtual, do modo como for, mas quem pagará a conta? Se tudo ficar grátis, quem vai financiar a produção da música que depois a gente irá consumir gratuitamente? É uma equação que não fecha, eu não tenho a menor idéia de qual será o balanceamento de extinções e criações que vai fundar a música do futuro. Me vem à cabeça umas idéias que o João Marcello Bôscoli divulga, que, se não me engano, têm alguma coisa a ver com o David Bowie: a música distribuída feito água de torneira, luz elétrica, gás encanado – está no ar, você paga um consumo mensal (mas para quem?), essas coisas… Enfim, estou elucubrando. A minha resposta mesmo é a primeira: incógnita total.

3) Qual a principal vantagem desta época em que estamos vivendo?
Puxa são várias, inúmeras. Não consigo eleger uma só, mas se puder tirar da cartola só umas poucas que me ocorrem de imediato, eu citaria algumas. A desmonetarização geral de tudo que conhecíamos como “indústria”. A ruína progressiva das maracutaias que “construíam” o sucesso “musical” em gravadoras, rádios, TVs, imprensa etc. A gratuidade que a internet está concedendo a música, imagem, texto etc. A perda progressiva, ainda que vagarosa e temerosa, dos indivíduos em expressarem o que pensam sobre o mundo, inclusive na hora de produzir arte e cultura. A liberdade de criação que vem crescendo maravilhosamente em função desses itens anteriores todos.

4) Que artista voce só conheceu devido às facilidades da época em que estamos vivendo?
Ai, Matias, você sabe que eu sou dinossauro, né? Amo os progressos tecnológicos e cibernéticos quase na mesma medida que resisto a eles… Não conheci o Cansei de Ser Sexy pela internet, até hoje ainda não ouvi o Bonde do Rolê, continuo com preguiça de assistir no computador o show de volta dos Mutantes em Londres. Eu vibro com todas essas coisas, mas seria mentiroso se dissesse que descobri algum artista genial pelos meus próprios méritos exploratórios combinados com as ferramentas que ganhamos nesse incrível início de século XXI… Mas eu ainda chego lá!

5) O estado da indústria da música atual já realizou algum sonho seu que seria impossível em outra época?
Ops, esta é a minha pergunta favorita! Realizou muitos, inúmeros, gigantescos. Ver a música funcionando a pleno vapor mesmo quando o jabá e o caixa 2 e as mamatas e as tramóias da indústria fonográfica vão se desmilinguindo é um sonho realizado. Perceber como a música está cada vez mais inteligente e liberta de convenções paralisadoras e limitadoras (à parte a avalanche de sósias de Los Hermanos que não páram mais de surgir) é um sonho realizado. Ver linhas diretas de diálogo sendo abertas, via internet, entre artistas, produtores, críticos e “eles”, os consumidores, os “cidadãos civis”, que até há pouco eram mera platéia passiva (e abobalhada, na opinião dos “formadores”), é um grande sonho se realizando pouco a pouco. Testemunhar uma nova leva de pujança e força de músicas criadas nas periferiasq (hip hop, funk carioca, tecnobrega etc.) é um sonho que eu nem sabia que tinha, mas que vai se realizando à medida que eu o descubro. Falo tudo isso a respeito da música, que é o que eu mais gosto de acompanhar como jornalista, mas acho que já começa a valer também para o jornalismo, que é a minha “real” área de atuação. E paro para não ficar comprido demais, porque teria mais uma montanha de sonhos realizados para citar, antes de começar a falar da montanha dos ainda não realizados, hahaha.

Entrevista dada ao blog “Trabalho Sujo”

Entrevista na íntegra:

006 – Negra Li

Programa: 006

Exibido em: 24 de julho de 2008

Entrevistado: Negra Li

Negra Li, nome artístico de Liliane de Carvalho, é uma cantora de rap. O gosto pela música surgiu na infância, quando cantava os hinos evangélicos da igreja. Ainda adolescente, Li imitava Whitney Houston e dali em diante começou a ouvir cada vez mais black music até que, aos 16 anos, passou a se interessar pelo rap.

Iniciou seu trabalho com o grupo de rap RZO, e manteve durante bom tempo uma parceria com o rapper Helião.

Atualmente segue carreira solo e já tem dois discos lançados, além da participação no longa-metragem “Antônia”.

Participação: Tia Ray

Entrevista na íntegra:

Sou negra e me amo

“Sou mulher, negra, pobre e canto rap. Poderia ser vítima de todo tipo de preconceito não fosse por um detalhe: eu me respeito, por isso as pessoas me respeitam. Minha mãe sempre se orgulhou da nossa cor, nunca teve vergonha da nossa condição social – e, claro, acabou ensinando a mim e a meus quatro irmãos a ter autoconfiança. Cresci me achando bonita, gostando do meu corpo, do meu cabelo sem chapinha. Além disso, ela, que é professora, sábia, nos deu a melhor educação possível. E informação é uma arma contra a ignorância da discriminação, certo? Acreditei desde cedo que podia fazer o que desse na telha. Queria cursar teatro; minha mãe me inscreveu numa escola. Você vai ver o resultado no filme Antônia, sobre um grupo de rap feminino. É maravilhoso atuar, mas nada se compara à energia de subir no palco. Dos hinos na igreja evangélica, religião da minha família, caí no rap participando dos shows e CDs do RZO [Rapaziada da Zona Oeste]. Um amigo me convidou, quando eu tinha 16 anos, e aceitei de cara porque amo cantar. Era um tipo de música dominado por homens. Então, me posicionava: não distribuía sorrisos a qualquer um e me vestia como eles, calça larga, tênis… para me preservar naquele início de carreira.
De lá pra cá, soltei a voz na música Não É Sério, do Charlie Brown Jr., um pessoal muito querido que impulsionou minha carreira. Também gravei o CD Guerreiro, Guerreira, com o rapper Helião; estive na festa dos 40 anos da Globo; no programa do Faustão… Nem por isso me deslumbrei com o sucesso. Mesmo se fosse uma desconhecida, seria uma estrela no meu mundo. Porque aprendi a ser feliz com o que sou. O triste é que auto-realização é confundida com prepotência. Já ouvi: ‘A Negra Li está metida, é outra pessoa’. Preconceito! Só porque agora me visto melhor e falo corretamente não quer dizer que não tenha humildade. É preciso evoluir! Lembro que, em 2000, quando entrei para o Coral da Universidade de São Paulo, carregava nas gírias. Convivendo com o grupo, comecei a me expressar melhor. E quero aprender mais. Médico não estuda? Eu faço aulas de canto e piano.
Preconceito contra alguma coisa ou alguém, eu? Não perco meu tempo. Saiu numa entrevista que odeio axé. Por causa disso, os que gostam até criaram comunidade no Orkut contra mim. Calma, gente! Primeiro, músico não detesta música. Disse apenas que era o que eu menos ouvia. Segundo, o problema é mais embaixo. Não curto letras que influenciam as crianças de um jeito negativo. Acho triste ver uma garotinha cantando algo apelativo ou violento, de qualquer ritmo. Tanto que meu rap passa mensagem otimista, de paz. Chega a ser romântico, porque acredito no amor. Mas cada artista deve batalhar por seus sonhos; o meu é gravar CD solo. Não dá para dizer que fulano é melhor ou pior por ser diferente. Como o ser humano pode julgar tanto? Todo preconceito é burro e faz mais mal a quem tem do que a quem sofre. Se você é vítima disso por causa da sua cor, do seu peso, do seu jeito de pensar, fique firme. Ame-se, sonhe alto e não se intimide diante de nada nem ninguém. Seja uma estrela no seu mundo.”

Artigo publicado na edição 384 da revista “Nova”.

.: Programas :.


036 – Laerte

035 – Mano Reco

034 – Edvaldo Santana

033 – Kendi Sakamoto

032 – Prof. Pablo

031 – Marcelino Freire

030 – Juca Kfouri

029 – Afro X

028 – Hamilton Tadeu

027 – Paulo Lins

026 – Sergio Vaz

025 – Antonio Nóbrega

024 – Albertina Duarte

023 – Moysés

022 – Caco Galhardo

021 – André Pirovani

020 – Contardo Calligaris

019 – Cazé Peçanha

018 – Ugo Giorgetti

017 – Remix

016 – Eduardo

015 – Glauco Mattoso

014 – Beto Brant

013 – Alzira E

012 – Xico Sá

011 – Laís Bodanzky

010 – Arnaldo Antunes

009 – DJ Hum

008 – Clemente

007 – Pedro A. Sanches

006 – Negra Li

005 – Fernando Bonassi

004 – Hugo Possolo

003 – Tia Dag

002 – Lourenço Mutarelli

001 – Chico César