010 – Arnaldo Antunes

Programa: 010

Exibido em: 17 de setembro de 2008

Entrevistado: Arnaldo Antunes

Músico, poeta e artista visual, Arnaldo apresenta em sua obra grande influência dos gêneros artísticos modernistas e pós-modernistas.

Em 1978 ingressou em Letras da FFLCH-USP, onde seguiria o curso de Linguística, não fosse o sucesso dos Titãs, banda da qual fazia parte na época. Porém, em 1992, desligou-se da banda por conta de suas direções artísticas. Apesar de sua saída, Arnaldo continuou compondo com os demais integrantes do grupo e várias dessas parcerias foram incluidas em discos dos Titãs, assim como em seus discos solo.

Em 2002, formou em parceria com Marisa Monte e Carlinhos Brown o trio Tribalistas, pelo qual lançaram um álbum homônimo. Também atuou como ensaísta na Folha de São Paulo e lançou, no final de 2007, o primeiro DVD de sua carreira, o Ao Vivo No Estúdio.

Pensamento

Pensamento vem de fora

e pensa que vem de dentro,

pensamento que expectora

o que no peito penso

Pensamento a mil por hora,

tormento a todo momento.

Por que é que eu penso agora

sem o meu consentimento?

Se tudo que comemora

tem o seu impedimento,

se tudo aquilo que chora

cresce com o seu fermento;

pensamento, dê o fora,

saia do meu pensamento.

Pensamento, vá embora,

desapareça no vento.

E não jogarei sementes

em cima do seu cimento.

Entrevista na íntegra:

009 – DJ Hum

Programa: 009

Exibido em: 03 de setembro de 2008

Entrevistado: DJ Hum

Dj Hum, nome artístico de Humberto Martins é rapper e produtor musical. Começou sua carreira em 1985 e é considerado por muitos como um dos pioneiros do rap no Brasil, juntamente com seu antigo parceiro Thaíde. Ele também é fundador do grupo de rap “Matirô”, junto com o rapper Lino Crizz, que em 2005 gravou a música “Senhorita” e que se tornou um grande sucesso no país.

Participação: Carlinhos Periferia

Entrevista na íntegra:

Entrevista: DJ Hum, um dos donos da “Senhorita”

Ele se chama Humberto Martins, so que também é conhecido por HUM. No início dos anos 80, ainda menino, só tinha uma opção de entretenimento na periferia de São Paulo, onde cresceu: as matinês da Zona Leste.

De tanto ir nesses “bailinhos”, começou a se interessar por música, juntou amigos e ganhou muitos discos de black music do seu tio, como do pai do soul James Brown. Os presentes do seu familiar foram os primeiros passos para a discotecagem. Hoje, sua coleção (foto) conta com inúmeros vinis – mídia que o artista prefere trabalhar

Conheceu outro apreciador da cultura hip hop, o rapper Thaíde, que juntos deram o pontapé incial do rap com sotaque brasileiro.

A dupla gravou 9 discos, em 17 anos de carreira, que terminou em 2001. De lá pra cá, cada um seguiu seus projetos pessoais. Hum criou o selo “Humbatuque”, compôs bases, conheceu o rapper Cabal e o cantor de soul Lino Crizz.

O final feliz dessas duas novas amizades foi o hit “Senhorita”, responsável pela criação do grupo Motirô.

Entre um compromisso e outro — antes de falar com o !Oba Oba, o DJ conversava com a equipe da Rádio 105 FM — emissora que realiza um programa aos sábados.

Após as interrupções no decorrer da conversa, confira o relato de quem fez e faz parte da introdução da cultura de rua no Brasil.

!ObaOba: Você e o rapper Thaíde foram os primeiros a fazer rap por aqui, como isso começou?
DJ Hum:Conheci o Thaíde (foto) nos anos 80, lá na Archote – casa que ficava em Moema (SP) e era bem popular na época. A dupla surgiu em 1986, quando nos apresentamos no antigo espaço Mambembe. O Escova, Dudu Maroti e Nasi (do Ira!) iam lá. Pode-se dizer que esses três foram os primeiros apoiadores do movimento hip hop nacional. Depois fomos para a São Bento e foi lá que começamos a ouvir aquele funk falado, só descobrindo mais tarde que era o rap. A região era legal, porque tinha uma pista lisa e ficava na região central de São Paulo.

!ObaOba: Quem freqüentava a São Bento na época?
DJ Hum: Eram umas 20 pessoas, entre músicos, dançarinos e curiosos da black music, que iam lá sábados. Nomes como Sampa Crew, Marcelinho Back Spin e Street Warriors. Nunca imaginei que isso fosse chamar a atenção de jornalistas, produtores e músicos de outros estilos. Quem também aparecia por lá era a polícia. Tivemos muito material apreendido, pois para os policiais éramos considerados vândalos.

!ObaOba: Mudando de gênero musical e indo ao movimento punk, pode-se falar que ele influenciou o hip hop brasileiro?
DJ Hum: Sim. Tem tudo a ver. Quando chegamos, na estação São Bento, eram os punks que freqüentavam o local, eles estavam saindo de lá e nos mostraram muita coisa, inclusive a banda The Clash. Isso influenciou o rap e todo o movimento hip hop.

!ObaOba: Por vivermos em um país multicultural, o rap também já foi misturado ao samba, rock e até o chorinho. Você acha que algum ritmo não combinaria com esse estilo?
DJ Hum: Acho que o rap combina com todos os estilos e pode ser misturado com eles. Ele é um dos elementos do hip hop, que também tem o DJ, o MC, os grafites e o break.

!ObaOba: O Rio de Janeiro é a capital do funk, São Paulo seria então a capital do hip hop?
DJ Hum: Sim. O hip hop começou aqui em São Paulo, nas agitações da São Bento (estação de metrô). Foram lá as primeiras oficinas desta cultura de rua.

!ObaOba: Além do rap, o que você ouve?
DJ Hum: Gosto muito de soul, jazz funk, samba soul, punk dos anos 70, new soul — que aqui no país é chamado de charm. Também ouço muito música moderna brasileira, como vem fazendo os selos Tratore e Trama.

!ObaOba: Tem algum artista em especial que você ouve mais ultimamente?
DJ Hum: Sinto algo forte quando ouço o rapper Common.

!ObaOba: Como surgiu o hit “Senhorita”?
DJ Hum: Experimentei umas batidas diferentes, produzindo rythm and blues e uns Hip Hop dos anos 70, feitos para a pista. A base instrumental de “Senhorita” eu fiz em 2003 e não tinha letra. Quando eu ia tocar em algum lugar, eu brincava de MC com a levada e mixava. Percebi que a música tinha potencial, porque a galera curtia. Logo depois, o Cabal (MC) me pediu para produzir uma música. Falei que tinha uma base, com tema, e expliquei que queria falar do amor à primeira vista, do adolescente, dos primeiros bailinhos, a menina linda, a senhorita e a coisa mais linda. Eram emoções que eu vivi onde morava e não podia deixar para trás. No final foi uma composição minha, do Cabal e do Lino Crizz (foto). Foi o encontro responsável para criarmos a banda Motirô.

!ObaOba: Qual o significado da palavra Motirô?
DJ Hum: É uma palavra indígena – tupi-guarani – e quer dizer reunião de pessoas, de uma mesma tribo, para construir algo produtivo e positivo.

!ObaOba: Quais são os estilos de músicas do grupo?
DJ Hum:O Motirô é formado por 25 pessoas e o DJ, que sou eu. É uma junção de sons e artistas, composta de baixo, bateria, metais (saxofone e trompete), percussão, teclado e 2 backing vocals. Também tem os cantores Lino Crizz e Mara Nascimento, o MC Tio Fresh e o rapper De La Souza, que rima em espanhol. Além de convidados diferentes a cada show. Nós tocamos hip hop e com influência de músicas latina, indiana e árabe.

!ObaOba: Tanto na primeira música da Motirô como nas outras, há rimas em espanhol. Por quê?
DJ Hum: É a idéia da América Latina unida. Seria ótimo se o Brasil conhecesse mais a cultura dos países vizinhos. Quero abrir o mercado brasileiro para toda a América Latina. Os outros países não colocam sambas brasileiros em suas músicas? E isso não é legal? Então, vamos colocar frases em espanhol em nossas músicas.

!ObaOba: O que esperar das duas apresentações da Motirô neste fim de semana no Sesc Pompéia?
DJ Hum:Vamos fazer um revival da música black dos anos 70, misturando com a sonoridade do século 21. Neste show vai ter o Silvera, o BNegão (foto), que é meu amigo de longa data, desde os tempos em que ele era do Planet Hemp, já tocamos juntos algumas vezes. A banda vai contar com o groove do Tonny Bizarro, que é o rei da discoteca. Já toco há mais de 20 anos e gostaria de unir as gerações.

!ObaOba: Qual o motivo dessa mistura de gerações?
Seria legal se a nova geração pudesse conhecer as músicas e a antiga reviver. É algo incrível quando os pais, que hoje têm 40, 45 anos levam seus filhos aos shows e me falam: “Eu curtia seu som quando era jovem, agora quero que meus filhos conheçam e gostem também”. E essa é a maior gratificação para um artista, pois uma das maiores glórias é olhar para o passado e não ter vergonha dele.

!ObaOba: Qual sua posição na briga entre as gravadoras e a pirataria?
DJ Hum:Acho que as grandes gravadoras deveriam investir em selos e músicos independentes. É uma solução para baixar o custo do CD.

!ObaOba: Você é contra a pirataria?
DJ Hum:Eu não disse isso. Eu não acho que é algo honesto, o que é diferente de ser contra. Se eu fosse contra não teria mandando vários e-mails com a música “Senhorita” para as pessoas ouvirem. Nesse caso, eu mesmo piratiei meu trabalho para divulgar o disco, que tinha essa música.

!ObaOba: O hit “Senhorita” conquistou não só os brasileiros, como também os europeus. O single “Senhorita” rendeu um contrato com uma gravadora britânica e e apresentações fora do país. Como é tocar no exterior?
DJ Hum:Eu toquei na Inglaterra, na França e no Japão. Lá fora eu só toco música nacional, como Tony Tornado, Tim Maia e o público adora.

!ObaOba: Que balada você gosta?
DJ Hum: Em São Paulo gosto do Blen Blen. E em Goiânia o Fiction

!ObaOba: Além de festas e produções, o que o DJ Hum gosta de fazer?
DJ Hum: Por incrível que pareça, eu gosto de ir para o interior de São Paulo para caminhar, correr, curtir a natureza, o mato e a cachoeira. Colocar também um CD de new age, relaxar e meditar. Juntar os amigos, trocar idéias e ouvir com eles músicas psicodélicas e de vanguarda.


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.: Programas :.


036 – Laerte

035 – Mano Reco

034 – Edvaldo Santana

033 – Kendi Sakamoto

032 – Prof. Pablo

031 – Marcelino Freire

030 – Juca Kfouri

029 – Afro X

028 – Hamilton Tadeu

027 – Paulo Lins

026 – Sergio Vaz

025 – Antonio Nóbrega

024 – Albertina Duarte

023 – Moysés

022 – Caco Galhardo

021 – André Pirovani

020 – Contardo Calligaris

019 – Cazé Peçanha

018 – Ugo Giorgetti

017 – Remix

016 – Eduardo

015 – Glauco Mattoso

014 – Beto Brant

013 – Alzira E

012 – Xico Sá

011 – Laís Bodanzky

010 – Arnaldo Antunes

009 – DJ Hum

008 – Clemente

007 – Pedro A. Sanches

006 – Negra Li

005 – Fernando Bonassi

004 – Hugo Possolo

003 – Tia Dag

002 – Lourenço Mutarelli

001 – Chico César