030 – Juca Kfouri

Programa: 030

Exibido em: 19 de setembro de 2009

Entrevistado: Juca Kfouri

Um dos principais membros do jornalismo esportivo no Brasil, Juca é formado em ciências sociais.

Ficou conhecido ao organizar, em 1982, uma matéria que denunciava a chamada “Máfia da Loteria Esportiva”, na qual jogadores eram comprados por apostadores, a fim de garantir que os resultados dos jogos da loteria seriam aqueles em que haviam apostado, o que lhe garantiu diversas ameaças por telefonemas anônimos.

Passou por grandes veículos impressos como Playboy, Placar e Lance! e emissoras como Globo, TV Cultura, Record e SBT.

O trabalho de Juca na revista Placar priorizou o viés investigativo no esporte, coisa que havia sido feita por poucas vezes na história da imprensa esportiva brasileira.

Atualmente trabalha na ESPN Brasil, CBN e Folha de São Paulo.

Participação:

  • 1982 – A Emoção Corinthians
  • 1996 – Corinthians, Paixão e Glória
  • 2003 – Meninos, Eu Vi…
  • 2005 – O Passe e o Gol
  • 2009 – Por que não desisto – Futebol, Poder e Política

Deixem Jesus em paz

Está ficando a cada dia mais insuportável o proselitismo religioso que invadiu o futebol brasileiro

MEU PAI , na primeira vez em que me ouviu dizer que eu era ateu, me disse para mudar o discurso e dizer que eu era agnóstico: “Você não tem cultura para se dizer ateu”, sentenciou.

Confesso que fiquei meio sem entender.

Até que, nem faz muito tempo, pude ler “Em que Creem os que Não Creem”, uma troca de cartas entre Umberto Eco e o cardeal Martini, de Milão, livro editado no Brasil pela editora Record.

De fato, o velho tinha razão, motivo pelo qual, ele mesmo, incomparavelmente mais culto, se dissesse agnóstico, embora fosse ateu.

Pois o embate entre Eco e Martini, principalmente pelos argumentos do brilhante cardeal milanês, não é coisa para qualquer um, tamanha a profundidade filosófica e teológica do religioso.

Dele entendi, se tanto, uns 10%. E olhe lá.

Eco, não menos brilhante, é mais fácil de entender em seu ateísmo.

Até então, me bastava com o pensador marxista, também italiano, Antonio Gramsci, que evoluiu da clássica visão que tratava a religião como ópio do povo para vê-la inclusive com características revolucionárias, razão pela qual pregava a tolerância, a compreensão, principalmente com o catolicismo.

E negar o papel de resistência e de vanguarda de setores religiosos durante a ditadura brasileira equivaleria a um crime de falso testemunho, o que me levou, à época, a andar próximo da Igreja, sem deixar de fazer pequenas provocações, com todo respeito.

Respeito que preservo, apesar de, e com o perdão por tamanha digressão, me pareça pecado usar o nome em vão de quem nada tem a ver com futebol, coisa que, se bem me lembro de minhas aulas de catecismo, está no segundo mandamento das leis de Deus.

E como o santo nome anda sendo usado em vão por jogadores da seleção brasileira, de Kaká ao capitão Lúcio, passando por pretendentes a ela, como o goleiro Fábio, do Cruzeiro, e chegando aos apenas chatos, como Roberto Brum.

Ninguém, rigorosamente ninguém, mesmo que seja evangélico, protestante, católico, muçulmano, judeu, budista ou o que for, deveria fazer merchan religioso em jogos de futebol nem usar camisetas de propaganda demagógicas e até em inglês, além de repetir ameaças sobre o fogo eterno e baboseiras semelhantes.

Como as da enlouquecida pastora casada com Kaká, uma mocinha fanática, fundamentalista ou esperta demais para tentar nos convencer que foi Deus quem pôs dinheiro no Real Madrid para contratar seu jovem marido em plena crise mundial.

Ora, há limites para tudo.

É um tal de jogador comemorar gol olhando e apontando para o céu como se tivesse alguém lá em cima responsável pela façanha, um despropósito, por exemplo, com os goleiros evangélicos, que deveriam olhar também para o alto e fazer um gesto obsceno a cada gol que levassem de seus irmãos…

Ora bolas!

Que cada um faça o que bem entender de suas crenças nos locais apropriados para tal, mas não queiram impingi-las nossas goelas abaixo, porque fazê-lo é uma invasão inadmissível e irritante.

Não é mesmo à toa que Deus prefere os ateus…

Texto publicado na Folha de São Paulo em 30/07/2009

Entrevista na íntegra:

(pedimos desculpas pela qualidade do áudio. infelizmente tivemos problemas na captação)

029 – Afro X

Programa: 029

Exibido em: 05 de setembro de 2009

Entrevistado: Afro-X

Afro X ou Cristian de Souza Augusto, nasceu no ABC paulista e cresceu nas rodas de samba e de pagodes de mesa. Na década de 80, começou a freqüentas bailes onde conheceu a black-music. Mas a sua formação sofreu uma reviravolta quando um amigo lhe deu um vinil do Public Enemy. Esse álbum foi o que o inspirou a montar, em 1989, seu primeiro trabalho ligado ao rap: Os Suburbanos, com quem atuava ao lado do irmão Bad, hoje vocalista dos grupos Di Função e Tribunal Popular.

Passou sete anos no Complexo Penitenciário do Carandiru, hoje desativado, por assalto a mão armada. Lá, juntamente com o parceiro Dexter criou 509-E. O nome do grupo, representa o número da cela onde eles residiam.

O grupo tornou-se um dos ícones do cenário nacional. Em 2000 ganhou o prêmio Hutuz de grupo revelação pelo trabalho musical e o prêmio da TV Gazeta por videoclipe do ano, com a música de AFRO-X Só os Fortes.

Em 2005, Afro-X partiu para sua carreira solo e lançou o videoclipe da música “O Regenerado”, que retratava alguns momentos vividos pelo rapper no Carandiru.

Lançou em 2009 o livro “Ex-157, a História que a mídia desconhece”, uma autobiografia, que mostra como o cantor entrou e saiu da vida do crime.

Participação: Ana Paula Risos

2009 – EX-157, a história que a mídia desconhece

Entrevista na íntegra:

.: Programas :.


036 – Laerte

035 – Mano Reco

034 – Edvaldo Santana

033 – Kendi Sakamoto

032 – Prof. Pablo

031 – Marcelino Freire

030 – Juca Kfouri

029 – Afro X

028 – Hamilton Tadeu

027 – Paulo Lins

026 – Sergio Vaz

025 – Antonio Nóbrega

024 – Albertina Duarte

023 – Moysés

022 – Caco Galhardo

021 – André Pirovani

020 – Contardo Calligaris

019 – Cazé Peçanha

018 – Ugo Giorgetti

017 – Remix

016 – Eduardo

015 – Glauco Mattoso

014 – Beto Brant

013 – Alzira E

012 – Xico Sá

011 – Laís Bodanzky

010 – Arnaldo Antunes

009 – DJ Hum

008 – Clemente

007 – Pedro A. Sanches

006 – Negra Li

005 – Fernando Bonassi

004 – Hugo Possolo

003 – Tia Dag

002 – Lourenço Mutarelli

001 – Chico César