Programa: 031
Exibido em: 03 de outubro de 2009
Entrevistado: Marcelino Freire
Nascido na cidade de Sertânia, alto sertão de Pernambuco, Marcelino Freire é escritor, criador e curador de vários eventos literários e blogueiro convicto.
Alguns de seus contos foram adaptados para teatro, TV e para o cinema. Além disso, foram publicados em revistas e jornais no México, França, Estados Unidos e Itália.
Editou, ao lado de Nelson de Oliveira, a revista de prosa “PS:SP”, lançada, em número único, no ano de 2003 e participou de antologias nacionais como “Geração 90 – Manuscritos de Computador” (2001) e “Os Transgressores” (2003) e antologias internacionais, como a “Putas”, lançada em Portugal (2002) e “Terriblemente Felices”, lançada na Argentina (2007).
Em 2004, idealizou e organizou a antologia “Os Cem Menores Contos Brasileiros do Século”, reunindo 100 autores, como Dalton Trevisan, Millôr Fernandes, Marçal Aquino, Raimundo Carrero, João Gilberto Noll, em microcontos inéditos de até 50 letras. Ainda em 2004, foi responsável pela “Série Paralelepípedos”, em que autores de cada uma das 27 capitais brasileiras apresentam, para o público infantil e adolescente, a cidade em que nasceram ou onde vivem.
Em 2006 ganhou o prêmio Jabuti de Literatura pela obra “Contos Negreiros.”
Participação: Elizandra Souza
- 2000 – Angu de Sangue
- 1998 – 2002 – eraOdito
- 2003 – BaléRalé
- 2005 – Contos Negreiros
- 2008 – RASIF – Mar que arrebenta
HOMO ERECTUS
Sabe o Homem que encontraram no gelo? Encontraram no gelo da Prússia? Enrolado? Os arqueólogos encontraram no gelo gelado da Prússia? Perto das colinas calcáreas da Prússia? O Homem feito um feto gelado, com sua vara de pesca? Sabe o Homem que encontraram? Com seu machado de pedra? O Homem que tinha cabeleira intacta? A arcada dentária? O Homem meio macaco? Funerário? Fossilizado na encosta que o engoliu? No tempo perdido? Você viu? Tetravô dos mamíferos do Brasil? O Homem vestígio? O Homem engolido pela terra primitiva? Da Era Quaternária, não sei? Secundária? Que caçava avestruz sem plumas? Caçava o cervo turfeiras? Javali e mastedonte? Ia aos mares fisgar celacanto? Rinoceronte? Sabe deste Homem? Irmão do Homem de Piltdown? Primo do Homem de Neandertal? Do velho Cro-Magnon? Do Homem de Mauer? Dos Incas, até? Dos Filhos do Sol? Das tribos da Guiné? O Homem de 100 mil anos antes de nossa era? Ou mais? Um milhão de eras? Homem com mandíbula de chimpanzé? Parecido o mais terrível dos répteis carnívoros do Cretáceo? Um mistério maior que este mistério? Navegador de jacaré? Não sabe? Homem desenterrado por acaso? Pelos viajantes, por acaso? Pela Paleontologia, não sabe? Visto nas costelas frias da Prússia, repito? Prússia renana, vá saber lá o que é isso? O Homem ressuscitado, você viu na TV? De ossos miúdos? Esmiuçados? Abertos para estudo? À visitação nos museus americanos? Como uma múmia sem roupa? Quase? Flagrada como se estivesse dormindo nas profundezas do mundo oceânico? O Homem embrionário? Das origens cavernosas da Humanidade? Sabe este Homem, não sabe? Pintado nas cavernas da Dordonha? Mesolítico? Nômade? Perdido? Este Homem dava o cu para outros homens. E ninguém, até então, tinha nada a ver com isso.
(Extraído da obra “BaléRalé”)
Entrevista na íntegra:
