036 – Laerte

Programa: 036

Exibido em: 12 de dezembro de 2009

Entrevistado: Laerte Coutinho

Um dos principais quadrinistas brasileiros, estudou comunicações e música na Universidade de São Paulo, porém não se formou nestes cursos.

Começou profissionalmente desenhando o personagem Leão para a revista Sibila em 1970. Durante a década de 70 ele ainda fundou, junto com Luiz Gê a revista Balão e trabalhou nas revistas Banas e Placar. Em 1974 faz seu primeiro trabalho para um jornal, a Gazeta Mercantil.

No mesmo ano começou a produzir material de campanha para o MDB durante as eleições. No ano seguinte trabalhou na produção de cartões de solidariedade no movimento de auxílio aos presos políticos. Em 1978 desenhou histórias do personagem João Ferrador para a publicação do sindicato dos metalúrgicos de São Bernardo do Campo.

No fim da década de 80 publicou tiras e histórias em quadrinhos nas revistas Chiclete com Banana (editada por Angeli), Geraldão (editada por Glauco) e Circo, todas da Editora Circo, que mais tarde lançaria sua própria revista (Piratas do Tietê).

Em 1991 a Folha de São Paulo começou a publicar as tiras de Piratas do Tietê. Seus personagens mais conhecidos são Overman, Deus, Piratas do Tietê, Hugo, Gato e Gata e Suriá.

Suas tiras, que são publicadas até hoje, passaram por uma interessante transformação nos últimos anos: Laerte deixa de criar personagens  e passa a desenhar quadrinhos mais “conceitual” e reflexivos.

Em conjunto com Angeli e Glauco (e mais tarde Adão Iturrusgarai) desenhou as tiras de Los Três Amigos.

Laerte também atuou como roteirista, tendo colaborado em diversos programas da Globo como TV Pirata, Sai de Baixo, Fantástico e  TV Colosso.

Participação: Ana Paula Risos

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  • Piratas do Tietê – A Saga Completa – Livros 1, 2 e 3
  • Overman
  • Histórias Repentinas
  • Classificados Vol.1
  • Classificados Vol.2
  • Suriá – A Garota do Circo
  • Suriá – Contra o Dono do Circo
  • Classificados Vol.3
  • Gatos – Bigodes ao Léu
  • Deus
  • Deus 2
  • Deus 3 – A Missão

Entrevista na íntegra:

035 – Mano Reco

Programa: 035

Exibido em: 28 de novembro de 2009

Entrevistado: Mano Reco

Nascido Denison Vertelo, Mano Reco é rapper e já foi membro do Detentos do Rap.

Conheceu o grupo por meio de uma amiga que visitava o Carandiru e chegou a gravar 7 fonogramas, sendo o mais famoso “Quebrando as algemas do preconceito”.

Em 2005, Reco fez um curso de Teologia, para escrever coisas novas para os Detentos do Rap e em 2006 a partir daí converteu-se e passou a seguir carreira solo, como rapper gospel.

Antes de ser conhecido pelo seu trabalho, atuou como DJ e vocal.

Participação: Gilmar “Casulo”

Detentos do RAP

1997 – “Apologia ao crime”

2000 –  ”O pesadelo continua

2002 –  ”Quebrando as algemas do preconceito”,

2003 – CD Dententos do Rap ao vivo

2004 – “Amor só de mãe o resto puro ódio”.

Carreira Solo

2007 – “A verdade dói mas liberta”

2009 – DVD duplo “Cada luz uma história”.

Entrevista na íntegra:

034 – Edvaldo Santana

Programa: 034

Exibido em: 14 de novembro de 2009

Entrevistado: Edvaldo Santana

Nascido e criado em São Miguel Paulista, periferia de São Paulo, Edvaldo Santana  tocou seus primeiros acordes no velho violão do pai, no final da década de 60. Já naquela época tinha um vasto leque de  influências como Jackson do Pandeiro,  Torquato Neto e Hendrix.

A partir daí, Edvaldo participa de vários festivais estudantis e cria seu primeiro grupo, o Caaxió.  Em meados da década de 70, o grupo consegue um contrato com a gravadora Top-Tap que impõe a condição de substituírem o nome do grupo que passa a chamar-se Matéria Prima.

Um ano antes da gravação do primeiro disco do Matéria Prima, Edvaldo conhece Tom Zé que os convida para acompanhá-lo em alguns shows. O músico destaca esta fase de convivência com Tom Zé como muito importante para sua formação.

Com o fim da banda em 1986, sai em carreira solo e  desde então vem realizando parcerias com artistas como Ademir Assunção, Haroldo de Campos e Arnaldo Antunes, Osvaldinho do Acordeon, Fernando Deluque, Bocato dentre outros.

Participação: Márcio Batista

* Carreira Solo

200 6 – Reserva de Alegria

2004 – Amor de Periferia

2000 – Edvaldo Santana

1995 – Tá Assustado?

1993 – Lobo Solitário

* Matéria-Prima

1982 – Matéria Prima

1978 – Entranhas do Horizonte

1976 – Matéria Prima

Entrevista na íntegra:

Música Inédita: “O Amor é de graça”

031 – Marcelino Freire

Programa: 031

Exibido em: 03 de outubro de 2009

Entrevistado: Marcelino Freire

Nascido na cidade de Sertânia, alto sertão de Pernambuco, Marcelino Freire é escritor, criador e curador de vários eventos literários e blogueiro convicto.

Alguns de seus contos foram adaptados para teatro, TV e para o cinema. Além disso, foram publicados em revistas e jornais no México, França, Estados Unidos e Itália.

Editou, ao lado de Nelson de Oliveira, a revista de prosa “PS:SP”, lançada, em número único, no ano de 2003 e participou de antologias nacionais como “Geração 90 – Manuscritos de Computador” (2001) e “Os Transgressores” (2003) e antologias internacionais, como a “Putas”, lançada em Portugal (2002) e “Terriblemente Felices”, lançada na Argentina (2007).

Em 2004, idealizou e organizou a antologia “Os Cem Menores Contos Brasileiros do Século”, reunindo 100 autores, como Dalton Trevisan, Millôr Fernandes, Marçal Aquino, Raimundo Carrero, João Gilberto Noll, em microcontos inéditos de até 50 letras. Ainda em 2004, foi responsável pela “Série Paralelepípedos”, em que autores de cada uma das 27 capitais brasileiras apresentam, para o público infantil e adolescente, a cidade em que nasceram ou onde vivem.

Em 2006 ganhou o prêmio Jabuti de Literatura pela obra “Contos Negreiros.”

Participação: Elizandra Souza

  • 2000 – Angu de Sangue
  • 1998 – 2002 – eraOdito
  • 2003 – BaléRalé
  • 2005 – Contos Negreiros
  • 2008 – RASIF – Mar que arrebenta

HOMO ERECTUS

Sabe o Homem que encontraram no gelo? Encontraram no gelo da Prússia? Enrolado? Os arqueólogos encontraram no gelo gelado da Prússia? Perto das colinas calcáreas da Prússia? O Homem feito um feto gelado, com sua vara de pesca? Sabe o Homem que encontraram? Com seu machado de pedra? O Homem que tinha cabeleira intacta? A arcada dentária? O Homem meio macaco? Funerário? Fossilizado na encosta que o engoliu? No tempo perdido? Você viu? Tetravô dos mamíferos do Brasil? O Homem vestígio? O Homem engolido pela terra primitiva? Da Era Quaternária, não sei? Secundária? Que caçava avestruz sem plumas? Caçava o cervo turfeiras? Javali e mastedonte? Ia aos mares fisgar celacanto? Rinoceronte? Sabe deste Homem? Irmão do Homem de Piltdown? Primo do Homem de Neandertal? Do velho Cro-Magnon? Do Homem de Mauer? Dos Incas, até? Dos Filhos do Sol? Das tribos da Guiné? O Homem de 100 mil anos antes de nossa era? Ou mais? Um milhão de eras? Homem com mandíbula de chimpanzé? Parecido o mais terrível dos répteis carnívoros do Cretáceo? Um mistério maior que este mistério? Navegador de jacaré? Não sabe? Homem desenterrado por acaso? Pelos viajantes, por acaso? Pela Paleontologia, não sabe? Visto nas costelas frias da Prússia, repito? Prússia renana, vá saber lá o que é isso? O Homem ressuscitado, você viu na TV? De ossos miúdos? Esmiuçados? Abertos para estudo? À visitação nos museus americanos? Como uma múmia sem roupa? Quase? Flagrada como se estivesse dormindo nas profundezas do mundo oceânico? O Homem embrionário? Das origens cavernosas da Humanidade? Sabe este Homem, não sabe? Pintado nas cavernas da Dordonha? Mesolítico? Nômade? Perdido? Este Homem dava o cu para outros homens. E ninguém, até então, tinha nada a ver com isso.

(Extraído da obra “BaléRalé”)

Entrevista na íntegra:

021 – André Pirovani

Programa: 021

Exibido em: 09 de maio de 2009

Entrevistado: André Pirovani

Cidadão, que não leva a alcunha de famoso. Capixaba, veio para São Paulo na adolescência em busca de trabalho. Trabalha em uma gráfica e, dono de uma língua ferina, não mede as palavras para falar de religião, migração e discriminação social.

Participação: Sérgio Vaz

Entrevista na íntegra:

020 – Contardo Calligaris

Programa: 020

Exibido em: 25 de abril de 2009

Entrevistado: Contardo Calligaris

Contardo Calligaris é psicanalista, doutor em psicologia clínica e colunista da Folha de São Paulo. Italiano, hoje vive e clinica entre Nova York e São Paulo. Fez seu doutorado em Psicologia Clínica pela Universida da Provença, na França, onde defendeu a tese “A Paixão de Ser Instrumento”, estudo sobre a personalidade burocrática. Também é professor de Antropologia na Universidade da Califórnia em Berkeley e de estudos culturais na New School of New York.

  • Hipótese sobre o fantasma (Atmed, 1986)
  • Introdução a uma Clinica Diferencial das Psicoses (Artmed, 1989)
  • Crônicas do Individualismo Cotidiano (Ática, 1996)
  • Hello Brasil (Escuta, 2000 [6ª ed.])
  • A Adolescência (coleção: “Folha Explica”, Publifolha, 2001)
  • Terra de Ninguém (Publifolha)
  • IIha Deserta (Publifolha, 2003)
  • Cartas a um jovem terapeuta (Alegro, 2004)
  • Conto do Amor (Companhia das Letras, 2008)
  • Quinta Coluna (Publifolha, coletânea de textos publicados no jornal Folha de São Paulo, no caderno Ilustrada)

Crimes insignificantes

É viável uma sociedade em que preocupações morais substituem as normas jurídicas?


A FOLHA de sábado passado (reportagem de Felipe Seligman e Sofia Fernandes) noticiou que, ao longo de 2008, o Supremo Tribunal Federal julgou 14 casos em que considerou “insignificantes” os crimes cometidos: as ações penais deveriam ser arquivadas e os culpados que estivessem presos deveriam ser soltos.

O que é um crime insignificante? Primeiro, o que foi roubado ou destruído deve ser uma bagatela, ou seja, pouca coisa (claro, a bagatela não pode ser definida de vez: o que é pouca coisa para mim pode não ser para você).

Segundo, ajuda o fato de que o crime tenha sido perpetrado, como notou o ministro Carlos Ayres Britto, por “extrema carência material”. Por exemplo, seria insignificante roubar o básico se você e sua família passam fome. O ministro Celso de Mello acrescentou que o sujeito assim isentado não deve apresentar “nenhuma periculosidade social” (isso, claro, é uma previsão).

A questão não é concordar ou não com as decisões do STF: existem crimes que nos parecem pouco relevantes e pelos quais achamos injusto que um cidadão seja encarcerado -sobretudo, muitos acrescentarão, considerando o bando de criminosos bem mais relevantes que andam livres pelas nossas ruas. Isso sem contar a superlotação do sistema carcerário.

O que me interessa é que as 14 decisões do STF constituem uma espécie de marco. Imagino facilmente um juiz de primeira ou segunda instância ponderando alternativas mais morais do que propriamente jurídicas: “Se encarcero este homem, o que acontece com suas crianças? Ou então, se eu o encarcero, será que faço do crime seu destino, enquanto seu comportamento foi excepcional, ditado por circunstâncias extremas?”. Há mesmo situações que a lei não pode contemplar e que pedem uma avaliação “humana”, quase afetiva. Mas, visto que as decisões emanam do Supremo, é como se, desta vez, a preocupação moral alterasse ou substituísse a norma jurídica. Isso é uma novidade. Devemos festejar? A verdade é que não sei.

Os psicólogos conhecem os dilemas que Lawrence Kohlberg inventou, nos anos 70, para medir o desenvolvimento moral das pessoas. O primeiro deles podia ser resumido assim: “É errado roubar remédio se seu filho está doente e você não tem recurso algum?”. Hoje, o STF parece responder que se trataria de um erro insignificante. Para Kohlberg, essa resposta tem uma qualidade moral superior àquela que diria que, necessidade ou não, bagatela ou não, roubar é proibido.

Agora, Kohlberg media a qualidade do pensamento moral, ou seja, a complexidade do foro íntimo das pessoas. Ele não pedia que, na hora de dar suas respostas, os sujeitos testados apreciassem a legalidade das condutas avaliadas -por uma razão simples: em nossa cultura, a esfera pública da legalidade é separada da esfera privada da moral.

Já faz alguns séculos que a ideia de justiça se desvinculou da ideia de legalidade: o que nos parece justo não coincide necessariamente com o que é legal. Podemos achar, sem contradição, que uma lei é injusta; e nosso tribunal interior é mais importante, para nós, do que o veredicto de uma corte. Essa maneira de pensar é um dos traços gloriosos da modernidade ocidental.

Na reportagem que citei, Britto declara que o STF recorreu a uma distinção entre o formal e o material: algo pode ser crime formal, mas não material (o concreto é mais importante do que a letra). A consequência vem a seguir: o ministro também declara que, no caso do crime de bagatela, foi afastada “a ilicitude do caso”. Ou seja, a consideração moral concreta acabou com a ilegalidade abstrata do ato.

Muitos especialistas em segurança pública recearão as consequências dessa posição, pois vários estudos mostram que o crime se expande lá onde as simples infrações não são reprimidas: se é tolerado que a gente urine nos cantos, então haverá quem assaltará -como se a “generosidade” da lei comprovasse sua ausência ou seu sono. Mas, fora essa consideração, as decisões do STF revelam um impasse específico da modernidade. Uma sociedade regida pelo foro íntimo seria, provavelmente, mais justa do que uma sociedade governada pela letra da lei. Mas será que ela é possível? Será que somos capazes disso? Será que somos homens à altura dessa esperança?
Essa pergunta é, por sua vez, um dilema moral -ao qual, obviamente, não sei responder.

Artigo publicado na Folha de São Paulo em 26 de março de 2009.

Entrevista na íntegra:

018 – Ugo Giorgetti

Programa: 018

Exibido em: 28 de março de 2009

Entrevistado: Ugo Giogetti

Ugo Giorgetti é cineasta. Grande parte de seus filmes se passam na cidade de São Paulo e, embora mostrem uma leve ironia e bom humor, em geral, todos buscam explorar de alguma forma a questão da transformação de São Paulo e do Brasil.

Ugo também publica, sempre aos domingos, uma coluna sobre futebol no Jornal O Estado de São Paulo .

Participação: Mavotsirc

2006 – Boleiros 2 – vencedores e vencidos

2002 – O príncipe

1998 – Boleiros – era uma vez o futebol

1995 – Sábado

1989 – Festa

1986 – Quebrando a cara

1985 – Jogo duro

Entrevista na íntegra:

016 – Eduardo

Programa: 016

Exibido em: 10 de dezembro de 2008

Entrevistado: Eduardo

Compositor e intérprete do grupo Facção Central, Eduardo conviveu desde a infância com violência social, tráfico de drogas, vícios, violência policial e presídios. Um passado violento transformado em fonte de inspiração e traduzido em compoisções contudentes que relatam a realidade cotidiana das camadas mais baixas da sociedade, além de criticar duramente aqueles que, na visão de Edurado, seriam os causadores dos problemas discutidos nas letras das canções.

Ameaças policiais por telefone, censuras de algumas rádios, prisões pelo conteúdo de algumas letras e até mesmo a proibição de veiculação na televisão brasileira do videoclipe “Isso aqui é uma guerra”, considerado pelas autoridades como apologia à violência, são algumas das consequências decorrentes da postura do grupo.

tensão

Machucado sangrando sufocado
Dentro do porta-mala do meu bmw
Um ladrão no volante rindo a toa
Outro com meu cartão e minha esposa
Obrigando ela a sacar meu dinheiro no caixa
Com a mira laser nas costas nove cromada
Não tem como gritar nem dar alarme
Já premedito flores a benção do padre
Por que não fui morar na europa?
Grande merda essa blindagem foi só abrir a porta
Que o monstro da notícia que pra mim era fictício
Pulo deu coronhada extremamente agressivo
Talvez seja algum moleque que eu não dei esmola
Fechei o vidro na cara, tchau porra sai fora
Agora vejo o que resulta a barriga cheia de ar
Do filho da faxineira cortando minha jugular
Ações imóveis conta no exterior
Quando o oitão ta na cabeça nada disso tem valor
Será que o fim vai ser igual filme jornal mulher estuprada
Com o marido assistindo e eles dando risada
Cada ação preventiva da porra da polícia
Tão num bar comendo coxinha, só vem quando virem carniça
Querem meu sangue pra encher uma panela vazia
Esse é o preço pela indiferença cobrado pela periferia
2x o clima é tenso a chance é muito pouca
Vou terminar o dia com um tiro na boca
Sente o ódio do diabo que você ajudou a criar
Agora, dono do jato, é muito tarde pra chorar
Cala a boca doutor não da mais nem um pio
Se não te mando com tua vaca
Pra puta que o pariu
Vai ter pivete órfão no morumbi
Caixão com alça de outro assinado por mim
Diferente de você não tenho bmw
Só um cômodo no barranco que com a chuva ta soterrado
Teu filho vai pra escola com vigia detector
Enquanto o meu não tem aula nem professor
Vai ser seqüestrador, vai matar polícia
E ainda adolescente vai pra mesa do legista
Não uso grife sapato italiano
Eu não to na moda nem etiqueta tem nos meus pano
O sonho da minha coroa era me ver com diploma e bíblia
Mas o brasil meu deu o cano, que faz teu parente virar carniça
Por isso seu sangue não me comove
Por isso invado a cobertura e abro o boy com a nove
Amarro a governanta tortura a família
Quero mais dinheiro ai coroa não me tira
Mataram a esperança só deixam como herança
Uma doze com uma caixa de bala pra criança
Ia me entender se visse sua filha na esquina
Por cinco conto no hotel dando a vagina
Então cuzão da um tempo fica quieto
Talvez se der sorte não vai pra necrotério
2x o clima é tenso a chance é muito pouca
Vou terminar o dia com um tiro na boca
Sente o ódio do diabo que você ajudou a criar
Agora, dono do jato, é muito tarde pra chorar
Os minutos passam, tensão extrema
Será que a minha mulher errou a senha
Me lembro que um deles é menor
Sé pa joga gasolina e risca o fósforo sem dó
Eu to ligado que fome e crack faz o bandido
Então por que não estraçalham a cabeça do político
Não nego minha culpa no menino faminto
Em vez de cesta básica comprei relógio suíço
Contratei vigia, lancei carro blindado
Mas se o ladrão ta no banco, não é só eu que sou culpado
A porta abre um grita, entra logo vaca
Tão dando coronhada porra ela ta grávida
Agora pensa duas vezes pra comprar o diamante
Pra sua piranha usar uma noite só no restaurante
Olha a cara dela, toda ensangüentada
Vê do que é capaz quem vive de migalha
Investir em colete a prova de bala é ilusão
Minha bala com teflon atravessa ele e seu coração
Enquanto teu filho tiver na disney e o meu no reformatório
É quatro cinco na sua boca, autópsia velório
Não chora pelo carro, seguro paga outro
Cataram um boi sai fora nasceram de novo
Corre pro dp chama seu policial
Só por um milagre vão me ver no tribunal
O clima é tenso a chance é muito pouca
Vou terminar o dia com um tiro na boca
Sente o ódio do diabo que você ajudou a criar
Agora, dono do jato, é muito tarde pra chorar

Entrevista na íntegra:

015 – Glauco Mattoso

Programa: 015

Exibido em: 26 de novembro de 2008

Entrevistado: Glauco Mattoso

Nascido na capital de São Paulo,  com o  nome de Pedro Silva, tornando-se poeta ao adotar o heterônimo Glauco Mattoso, trocadilho com “glaucomatoso”, por ser portador de glaucoma congênito, que o levaria progressivamente à cegueira no início da década de 90. Nos anos 70 integrou a chamada “Geração Mimeógrafo” e participou da “Poesia Marginal”. Criou um fanzine poético-satírico chamado Jornal Dobrabil (trocadilho com o Jornal do Brasil e o formato dobrável do panfleto, publicado em folhas avulsas) e colaborou em diversos órgãos da imprensa alternativa, como Lampião (tablóide gay), Pasquim (tablóide humorístico), Escrita (revista literária), Chiclete com Banana (revista de HQ), Top Rock (revista musical), etc.


Sempre esteve voltado à cultura underground e aos temas transgressivos, como o sexo bizarro, o sadomasoquismo, a tortura, a violência no rock tribal e, sobretudo, o lado “maldito” da poesia, em seus momentos mais escatológicos e fesceninos


A obra poética de Glauco está quase toda inédita ou esparsamente publicada em livretos esgotados e suplementos ou fanzines e no seu site.

soneto sádico

Legal é ver político morrendo
de câncer, quer na próstata ou no reto,
e, pra que meu prazer seja completo,
tenha um tumor na língua como adendo.

Se for ministro, então, não me arrependo
de ser-lhe muito mais que um desafeto,
rogar-lhe morte igual à que um inseto
na mão da molecada vai sofrendo.

Mas o melhor de tudo é o presidente
ser desmoralizado na risada
por quem faz poesia como a gente.

Ele nos fode a cada canetada,
mas eu, usando só o poder da mente,
espeto-lhe o loló com minha espada.

Entrevista na íntegra:

014 – Beto Brant

Programa: 014

Exibido em: 12 de novembro de 2008

Entrevistado: Beto Brant

Diretor de cinema, graduado pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP). Começou sua carreira dirigindo videoclipes como Nem sempre se pode ser Deus, Taxidermia, Será que é isso que eu necessito?, da banda Titãs.

Depois, dirigiu curtas-metragens como Dov’e Meneghetti? e Jô, seu primeiro trabalho premiado. Na sua lista longas estão Os matadores, Ação entre amigos e O invasor.

Uma das características do trabalho de Beto Brant é realizar filmes que começam e terminam com reticências, mas que não se tratam de obras abertas.

Participação: Maurício DTS

* 2007 – Cão sem dono

* 2005 – Crime delicado

* 2001 – O Invasor

* 1998 – Ação entre amigos

* 1997 – Os matadores

* 1993 – Jó (curta-metragem)

* 1989 – Dov’e Meneghetti? (curta-metragem)

*1987 – Aurora (curta-metragem)

Entrevista na íntegra:

013 – Alzira E

Programa: 013

Exibido em: 29 de outubro de 2008

Entrevistado: Alzira E

Cantora e compositora, destaca-se como uma das principais compositoras na produção musical brasileira contemporânea. Com muitas músicas gravadas, algumas por intérpretes de renome como, Ney Matogrosso, Zélia Duncan, Itamar Assumpção, Tetê Espíndola, André Abujamra, Vange Miliett, Jerry Espíndola, Ceumar, Maria Alcina, Dona Zica entre outros. Em São Paulo desde 1985, vivendo a influencia do momento da vanguarda paulistana tornando-se parceira de um de seus principais nomes, Itamar Assumpção e com ele uma grande parte da sua produção musical nos anos 90.

Com vinte e três anos de carreira solo, fora do circuito das grandes gravadoras, Alzira E lançou sete álbuns: “Alzira Espíndola”(86); “AMME”(92), produzido por Itamar Assumpção; “PEÇAMME”(97); “Anahí”(98) gravado ao vivo, em dueto com Tetê Espíndola; “Ninguém Pode Calar”(2000), em homenagem a cantora e compositora Maysa; “PARALELAS” (Ducan Discos-2005), que reúne exclusivamente parcerias com Alice Ruiz, onde há um encontro entre a música de Alzira e a poesia dita pela própria Alice; e o CD “Alzira E” (2007-Duncan Discos), fruto de um encontro de grande produção, com o poeta paulistano arrudA, que com ela assina as 13 faixas do CD. Cultura.

Participação: arrudA

Entrevista na íntegra:

008 – Clemente

Programa: 008

Exibido em: 20 de agosto de 2008

Entrevistado: Clemente

Letrista, vocalista e guitarrista, Clemente fundou bandas “Condutores de Cádaver” e  “Os Inocentes” e foi um dos responsáveis pela explosão do movimento punk no Brasil. Recentemente, integrou a nova formação da Plebe Rude.

Também foi um dos responsáveis pelo extinto programa “Musikaos”, da TV Cultura, apresentado por Gastão Moreira.

Participação: Jorge

Entrevista na íntegra:

.: Programas :.


036 – Laerte

035 – Mano Reco

034 – Edvaldo Santana

033 – Kendi Sakamoto

032 – Prof. Pablo

031 – Marcelino Freire

030 – Juca Kfouri

029 – Afro X

028 – Hamilton Tadeu

027 – Paulo Lins

026 – Sergio Vaz

025 – Antonio Nóbrega

024 – Albertina Duarte

023 – Moysés

022 – Caco Galhardo

021 – André Pirovani

020 – Contardo Calligaris

019 – Cazé Peçanha

018 – Ugo Giorgetti

017 – Remix

016 – Eduardo

015 – Glauco Mattoso

014 – Beto Brant

013 – Alzira E

012 – Xico Sá

011 – Laís Bodanzky

010 – Arnaldo Antunes

009 – DJ Hum

008 – Clemente

007 – Pedro A. Sanches

006 – Negra Li

005 – Fernando Bonassi

004 – Hugo Possolo

003 – Tia Dag

002 – Lourenço Mutarelli

001 – Chico César